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Acontecimentos entre 1950 e 1974
Presidente Craveiro Lopes coloca uma coroa de flores no túmulo do Marechal Carmona nos Jerónimos, Ferreira da Cunha, 1951,Arquivo Municipal de Lisboa, AFML - A17879
Presidente Craveiro Lopes coloca uma coroa de flores no túmulo do Marechal Carmona nos Jerónimos, Ferreira da Cunha, 1951,Arquivo Municipal de Lisboa, AFML - A17879

O período compreendido entre 1950 e 1974, é caracterizado por inúmeros acontecimentos relevantes para a história de Portugal. A presidência do país esteve a cargo do Marechal Carmona, que morre em 1951, sendo então eleito o General Craveiro Lopes. No entanto, em 1958, o regime salazarista irá afastá-lo da presidência, sendo eleito nesse mesmo ano o Almirante Américo Tomás. Esta campanha eleitoral sofreu algumas perturbações e boicotes por parte do regime. O candidato da oposição, General Humberto Delgado, que arrastou multidões para a sua causa, travou uma verdadeira batalha durante a campanha eleitoral, chegando mesmo a declarar no café Chave d'Ouro, a frase "Obviamente demito-o", referindo-se a Salazar e caso viesse a ser eleito.  Temendo o pior, o regime procede então a uma manipulação do escrutínio, que irá ditar a vitória de Américo Tomás. A partir desta altura, o percurso de Delgado será marcado pelo seu exílio durante vários anos, não sem antes ter entrado clandestinamente em Portugal para comandar a revolta que deveria acontecer a partir do quartel de Beja (Janeiro de 1962), mas que fracassou. Em Fevereiro de 1965, vai a Espanha com o intuito de preparar um golpe militar contra o regime mas é atraído a Badajoz caindo numa armadilha preparada pela PIDE. O seu corpo é encontrado em Vilanueva del Fresno. Os seus restos mortais encontram-se hoje no Panteão Nacional.

O descontentamento no país ao longo destes 24 anos foi-se sentindo nos vários quadrantes da população, sendo que alguns tiveram um desfecho igualmente dramático. Assim, em Maio de 1954, Catarina Eufémia é assassinada a tiro pela GNR, durante uma greve de trabalhadores agrícolas em Baleizão e em Outubro de 1972, durante um comício no ISCEF, em Lisboa, morre o estudante de Direito, Ribeiro Santos.

A situação dos inúmeros presos políticos agrava-se e em Janeiro de 1960, Álvaro Cunhal juntamente com outros reclusos evade-se da cadeia de Peniche, vivendo na clandestinidade até 1974. Um ano depois, Portugal assiste ao assalto do navio Santa Maria, operação comandada pelo Capitão Henrique Galvão. Em Abril do mesmo ano, dá-se uma tentativa de golpe militar, liderada pelo General Botelho Moniz, mas que é rapidamente anulada por Salazar. O mês de Novembro de 1961, é marcado pelo desvio de um avião da TAP, sob o comando de Palma Inácio, de onde são lançados inúmeros panfletos por todo o país. Entre Março e Maio de 1962, será o ponto alto das movimentações estudantis, após a proibição da comemoração do dia do estudante. Durante este período, assiste-se à greve aos exames, ao luto académico, ao assalto da sede da Associação de Estudantes de Coimbra e à ocupação da cantina da Universidade Clássica de Lisboa.

Quartel da GNR no Largo do  Carmo, fotógrafo não identificado, 25.04.1974, Arquivo Municipal de Lisboa, AFML - A77600
Quartel da GNR no Largo do Carmo, fotógrafo não identificado, 25.04.1974, Arquivo Municipal de Lisboa, AFML - A77600

Os problemas nas colónias portuguesas começam a agravar-se, pois os franceses e os ingleses iniciam o processo de descolonização das suas colónias, mas Portugal mantém-se firme na política colonial. Assim, em 1961, após os ataques do MPLA à cadeia de Luanda e aos colonos portugueses no norte de Angola, Salazar assume a pasta da defesa e lança a célebre frase “Para Angola, rapidamente e em força”. Começa assim a guerra colonial, que em 1963 atinge a Guiné e em 1964 Moçambique. O descontentamento com a guerra e a vontade de fugir à mobilização vão provocar inúmeras deserções. Por outro lado, a emigração dos jovens, principalmente para França e a sua deslocação para cidades do litoral, principalmente Lisboa e Porto, na procura de melhores condições de vida, sofre um aumento considerável, deixando o interior do país cada vez mais votado à desertificação.

Em Setembro de 1968, Salazar sofre um acidente cerebral, após cair de uma cadeira no Forte de S. Julião. A sua morte ocorre cerca de 2 anos depois, em 27 de Julho de 1970. É substituído por Marcelo Caetano, que no início se pensou poder introduzir reformas no regime vigente, mas que cedo se confirmou que a política em Portugal iria continuar na mesma linha. O descontentamento é cada vez maior e em 1973, Sá Carneiro, juntamente com um grupo de deputados liberais, abandona a Assembleia Nacional. O regime começa a ficar isolado e a perder apoios na Igreja Católica e nas Forças Armadas. Em 16 de Março de 1974, eclode nas Caldas da Rainha um golpe militar para derrubar o regime, mas devido à precipitação é rapidamente neutralizado.

Ponte 25 de Abril, Amadeu Ferrari, post. 1966, Arquivo Municipal de Lisboa, AFML - B083961
Ponte 25 de Abril, Amadeu Ferrari, post. 1966, Arquivo Municipal de Lisboa, AFML - B083961

Este golpe servirá de ensaio para o 25 de Abril de 1974. Assim na noite de 24 de Abril, a canção de Paulo de Carvalho “E depois do Adeus”, deu o mote para o início da revolução de Abril. Já na madrugada do dia 25, é a música de Zeca Afonso “Grândola Vila Morena” que serve de senha para as movimentações militares onde se destaca no planeamento das operações o Major Otelo Saraiva de Carvalho, apoiado no terreno por inúmeros militares, entre eles o Capitão Salgueiro Maia que ao comando das tropas da Escola Prática de Cavalaria de Santarém, viria a sitiar a Praça do Comércio e mais tarde a cercar o quartel da GNR no Largo do Carmo, onde estava refugiado o Presidente do Conselho – Marcelo Caetano.

Entre 1950 e 1974, Portugal assiste à construção de obras de grande envergadura, que apesar de necessárias ao país, serviam também como propaganda ao regime salazarista. No desporto, temos a inauguração dos estádios das Antas, (1952), da Luz (1954) e os de Alvalade e Restelo (1956). Assistiu-se ainda, à construção do edifício da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (1950), às inaugurações do Cristo Rei em Almada e do Hotel Ritz em Lisboa, ambos em 1959 e do Teatro Monumental (1952), onde Vasco Morgado leva à cena a revista Lisboa. O rio Tejo também passou a ter duas pontes que facilitaram a sua travessia. A primeira em Vila Franca de Xira é inaugurada em 1951 e a segunda, em 1966, que irá ligar Lisboa a Almada, à qual foi dado o nome de Ponte de Salazar, nome este que em 1974 virá a ser alterado para Ponte 25 de Abril. Também o Porto irá ter a inauguração da Ponte da Arrábida em 1963. Lisboa assiste ainda a inúmeras transformações, sendo em 1955 apresentado o plano urbanístico para o Bairro dos Olivais e em 1956 é projectada a Avenida Estados Unidos da América que ligará o Areeiro a Entrecampos.

A literatura, o teatro e o cinema irão refletir a realidade do país e a importância da censura. No entanto, há que assinalar a relevância da Revista à Portuguesa, que através do seu teor sarcástico, mas sem colocar em causa os valores da época, era um dos escapes da população portuguesa. Outro grande passo para a sociedade da época, foi o início das emissões regulares da RTP, em 7 de Março de 1957, mas que, por sua vez era também um reflexo da política vigente. A informação televisiva foi sempre condicionada, servindo mesmo para o regime alcançar os seus fins propagandísticos de natureza grandiosa e monumental.

Lisboa tem também, a partir de 1956, um verdadeiro oásis no centro da cidade, com a abertura da Fundação Calouste Gulbenkian.


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