Espaço e Tempo Revelar LX
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Eduardo de Noronha
Ilustração Portuguesa, N.º 466, p. 124 (25 de Janeiro de 1915).
Ilustração Portuguesa, N.º 466, p. 124 (25 de Janeiro de 1915).

Eduardo de Noronha

Lisboa, 1859 ∞  Lisboa, 1948

Para quem procura descobrir na imprensa e nos livros quem foi Eduardo de Noronha, o primeiro traço do seu perfil a definir-se é o do ecletismo: possuía tantos e variados interesses. Mas quem com ele partilhou os dias, como o jornalista Acúrsio Pereira, enaltece-lhe o «Saber Esperar», enquanto «divisa que traduz confiança serena em si próprio, confiança no futuro». Gaba-lhe a versatilidade revelada em África, naqueles tempos em que os homens «tinham de desdobrar-se, de multiplicar-se». E recorda-o, novamente em solo pátrio, atravessando o Chiado, «com o seu chapéu alto, o seu fraque irrepreensível, a sua gravata clara, o seu triunfal cravo na lapela, o seu sorriso de simpatia, a sua palavra acolhedora, e uma perna claudicante por malfeitoria de uma bala.» Foi assim que evocaram a sua personalidade e silhueta em 26 de Outubro de 1959: uma homenagem organizada pela Câmara Municipal de Lisboa, a pretexto do centenário do se nascimento. Na altura, foi descerrada uma lápide na casa onde viveu, no 4º andar direito, do nº 61, do Pátio do Tijolo. Ainda estará lá?
Hoje, cinquenta anos corridos sobre esse momento de público reconhecimento, a história repete-se, ou melhor será actualizada. O homem, tal como a sua obra serão certamente os mesmos, mas são outros os que agora o vão descobrir ou reencontrar. Insinua-se, portanto, alguma originalidade para a osmose…
Para assinalar o início do desafio, fica uma pequena (e redundante) nota biográfica.
Nasceu em Lisboa, em 1859, sendo seu nome completo José Eduardo Alves de Noronha. A carreira militar que iniciou em 1874, levou-o a África, concretamente a Moçambique, onde permaneceu quinze anos (1879-1894). Foram certamente tempos crus para um jovem europeu de 20 anos, que para mais se descobre no epicentro dos territórios postos em causa pelo Ultimato Inglês (1890), na sequência dos quais se verificam também vários episódios de insurreição de alguns chefes tribais. Participou em várias campanhas nomeadamente, Matibane, Zambézia, Chirinda e na defesa de Lourenço Marques contra as investidas do régulo da tribo Zixaxa (1894).
Mas também desempenhou vários cargos administrativos no Governo e na Câmara Municipal de Lourenço Marques, além de se ter envolvido na vida social da colónia, fazendo-se colaborador de alguns dos seus periódicos como África Oriental (1876-87), O Quelimanense: órgão dedicado aos interesses da Zambézia (1881-83) e fundando O Futuro de Lourenço Marques (1894-95). Como legado desse período da sua vida ficou também o levantamento da carta topográfica de Lourenço Marques.
Após o regresso a Lisboa, em 1894, Eduardo Noronha intensificou a actividade literária iniciada em Moçambique, fazendo-se colaborador de diversos periódicos e iniciando uma vasta obra bibliográfica, que reflectirá a diversidade dos seus interesses.
Na imprensa, merece especial destaque a sua relação com dois títulos: o diário Novidades (1885-1974), do qual foi secretário da redacção; e Serões: revista mensal ilustrada (1901-1911), que dirigiu. Mas a sua prosa está também presente no Diário de Notícias, n’ O Século, n’ A Actualidade, no Correio do Norte, n’ A Tarde, n’ A Tribuna, n’ A Mala da Europa, n’ O Economista, no Tiro e Sport, entre outros. A crítica de teatro, a crónica de costumes (muitas vezes apimentada com anedotas e comentários tónicos) e o ensaio histórico-político foram, sem dúvida, os géneros que mais cultivou. Uma pequena mostra da sua escrita escorreita e bem humorada está plasmada na Revista Municipal (Lisboa, 1ª série), da qual foi colaborador a partir de 1942, até ao fim da sua vida. Após a sua morte, em 1948, a Revista publicará ainda alguns textos da sua lavra, relacionados com a vida e os costumes de Lisboa. Material manuscrito, reunido sob o título No relâmpago da vida. Memórias, que o seu filho, Mário de Noronha, disponibilizou à CML.
Como escritor evidenciou-se, sobretudo, como romancista histórico, por isso evoca-se aqui esse seu legado: A ambição de um rei (1904); No Brasil. Uma epopea marítima (1905); O Heroe de Chaimite Mouzinho d’Albuquerque (1906); O Marquez de Niza (1907); O agonizar de uma dinastia (1908); O Conde de Farrobo e a sua época (1910); José do Telhado (1923); Com os olhos da Pátria (1925); Afonso de Albuquerque (1926); O missionário (1927); Berta van Dorth (1937); As mulheres de Pernambuco (1937).
Mas muitos mais títulos, mais de cem, fazem parte do seu legado bibliográfico. E estão por contar os textos que fez publicar na imprensa. Mas pouco importa essa contabilidade. Foi escrevendo que Eduardo Noronha esgotou a vida. Morreu no dia 26 de Setembro de 1948, em vésperas de fazer 89 anos. Refere a imprensa da época, que tinha várias obras em preparação nomeadamente, uma sobre o Teatro de São Carlos e outra sobre a Guarda Nacional Republicana!

Rita Correia, (22/10/2009)

Bibliografia
Dicionário Cronológico de Autores Portugueses. Lisboa, Publicações Europa-América, 1990, Vol. II
Grande Enciclopédia Portuguesa Brasileira. Lisboa-Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia, Lda., s.d. Vol. XVIII.
FONSECA, Martinho. Aditamentos ao Dicionário Bibliográfico Português de Inocêncio Francisco da Silva. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1927.
Revista Municipal. Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, 1ª série, Nº 13 e 14 (1942), 16, 18, 19 (1943), 34 (1947), 44, 46 e 47 (1950), 48, 50 e 51 (1951) e 83 (1959).

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