Espaço e Tempo Revelar LX
Espaço e Tempo Revelar LX
APRESENTAÇÃO PONTOS INTERESSE PROJECTO ESCOLA MAPAS ACONTECE ENVIE POSTAL EFEMÉRIDES ENGLISH  english
 
SABIA QUE...
Página Principal > Acontecimentos entre 1900 e 1924 > Personagens > Artistas > Jorge Barradas
Jorge Barradas
Auto-caricatura de Jorge Barradas, publicada na revista Ilustração Portuguesa (Clique para ampliar)
Auto-caricatura de Jorge Barradas, publicada na revista Ilustração Portuguesa (Clique para ampliar)

Jorge Barradas, o “artista da mulher”… Nota biográfica

Por Álvaro Costa de Matos*

Jorge Barradas, o “Barradinhas” como era conhecido pelos amigos, nasceu em Lisboa, em 1894, e viria a falecer em 19711. Frequentou a Escola de Belas-Artes, a partir de 1911, mas não concluiu o curso. Durante muitos anos e até 1924 dedicou-se praticamente só à ilustração, ao desenho humorístico e à publicidade. Colaborou durante este período em vários jornais e revistas, com destaque para o ABC, Ilustração, Diário de Lisboa, Contemporânea, Ilustração Portuguesa, O Século Cómico, Atlântida, Magazine Bertrand, O Domingo Ilustrado, Acção, Papagaio Real, Sempre Fixe, entre muitas outras publicações. Fundou, com Henrique Roldão, o quinzenário O Riso da Vitória, que foi uma das mais brilhantes publicações humorísticas portuguesas, embora efémera. Foi ainda director artístico do ABC a Rir, dando depois o lugar a outro desenhador de renome, Stuart de Carvalhais. Participou, desta forma, numa tentativa de renovação gráfica protagonizada por uma geração, inspirada no estrangeiro, e que atravessa a imprensa periódica e a publicidade portuguesa nos anos 20.

Estreou-se na 1.ª Exposição do Grupo de Humoristas Portugueses (1912), com oito desenhos (tinha então apenas 17 anos). Em 1915 participou na 1.ª Exposição dos Humoristas e Modernistas, realizada no Porto. Cinco anos depois, em Maio de 1920, a Ilustração Portuguesa já dá conta duma exposição individual de Jorge Barradas, no Automóvel Clube de Portugal, no edifício da Liga Naval, em Lisboa, não poupando elogios ao seu colaborador, que “pela sua Arte tão feminil, tão aristocrata e tão subtil” considera ter “um lugar à parte e inconfundível na pintura humorística da nossa terra”. E numa comparação com o mestre da caricatura portuguesa, acrescenta: “Se Rafael Bordalo é o artista combativo da Sociedade Portuguesa, irónico e sarcástico sem temor, Barradas é o comentador dos ridículos e o anotador flagrante das visíveis passagens da fauna que a compõe”2. Ainda neste ano, encontramo-lo também a concorrer na 3.ª Exposição de Grupo de Humoristas Portugueses, no Salão do Teatro S. Carlos, com Stuart de Carvalhais, Emmérico Nunes, António Soares, Banha e Melo, Leal da Câmara, Cristiano Cruz, Rocha Vieira, Bernardo Marques, Lorenzo Aguirre, Larraga, Rubio, Pedro Aspiri, Vazques Diaz, entre outros, portugueses e espanhóis, numa exposição “a todos os respeitos bem original e curiosa” e que foi “fartamente” visitada, segundo a mesma Ilustração Portuguesa, de 19 de Julho de 1920. Jorge Barradas expôs ainda em Vigo (1922), e no ano seguinte, no Brasil.

“Outros Tempos”, desenho de Jorge Barradas publicado no quinzenário humorístico O Riso da Vitória, em 15 Setembro de 1919 (Clique para ampliar)
“Outros Tempos”, desenho de Jorge Barradas publicado no quinzenário humorístico O Riso da Vitória, em 15 Setembro de 1919 (Clique para ampliar)

Na sua obra gráfica são notórias as influências da Arte Nova e da Art Déco. Por outro lado, José-Augusto França identifica em alguns dos seus desenhos lembranças de Beardsley e de Olaf Gulbransson, da revista Simplississimus3 . Mas isto não impediu Jorge Barradas de ter um traço original e moderno, cheio de qualidades, de que são exemplo os desenhos que publicou nas primeiras páginas do Diário de Lisboa, do jornal Sempre Fixe ou do quinzenário humorístico O Riso da Vitória, que dirigiu, com os tipos alfacinhas (o mendigo, o ardina, o novo-rico, a burguesinha, a lavadeira) como protagonistas - relação que repetirá nos seus outros domínios artísticos. Essa originalidade e modernidade estão igualmente patentes nas requintadas capas que fez para a revista ABC, a Magazine Bertrand ou para a Ilustração, com o corpo feminino, e sobretudo o rosto feminino, em lugar de destaque. A crítica da época classifica-o como o “artista da mulher” que sabia “como ninguém fixar as suas mil e uma atitudes, todas as frivolidades do seu espírito, todas as suas graças, todas as perversões”4. Estas capas revelam ainda o “paradigma feminino da modernidade desejado pelas mulheres da sociedade portuguesa dos anos 20, que se esforçavam por se manter ao corrente das modas e dos padrões europeus”5.
 
Como pintor, a partir dos anos 30, Jorge Barradas destacou-se pelo bom gosto de composição e notável facilidade decorativa. Decorou o salão de festas do Pavilhão de Portugal na Exposição Ibero-Americana de Sevilha e colaborou nas decorações dos pavilhões portugueses nas Exposições Colonial e de Artes e Técnica de Paris. As suas telas de costumes valeram-lhe o título de “Malhoa 1930”, dado por Artur Portela. Nos anos 40 e 50, obteve enorme sucesso na cerâmica e na azulejaria – recebeu, em 1949, o “Prémio Sebastião de Almeida”, do SNI; renovou, com Leitão de Barros, o gosto nos cenários de espectáculos populares; decorou alguns cafés de Lisboa, como o Portugal (Rossio), A Brasileira (Chiado) e deixou ainda uma vasta colecção de litografias sobre assuntos populares.

BIBLIOGRAFIA SUMÁRIA
Arte Portuguesa no Tempo de Fernando Pessoa, 1910-1940, Zurique, Stemmle, 1997.
FRANÇA, José-Augusto, A Arte em Portugal no Século XX, Lisboa, Bertrand Editora, 1991.
António Rodrigues, Jorge Barradas, Lisboa, INCM, 1995.
VALDEMAR, António, Jorge Barradas, Lisboa, galeria de S. Mamede, 1985 (Catálogo).

Lisboa, Fevereiro de 2009.


* Coordenador da Hemeroteca Municipal de Lisboa e comissário da exposição Jorge Barradas na Colecção da Hemeroteca – Obra Gráfica.
1 Para informações mais detalhadas sobre a sua biografia, e aprofundamento do seu percurso como artista, é incontornável a obra de António Rodrigues, Jorge Barradas, Lisboa, INCM, 1995.
2 Ilustração Portuguesa, N.º 742 (10 Maio 1920), p. 323.
3 FRANÇA, José-Augusto, A Arte em Portugal no Século XX, Lisboa, Bertrand Editora, 1991.
4 Ilustração Portuguesa, N.º 742, p. 323.
5 MENDES, Carla – Jorge Barradas (1894-1971) [Em linha]. [Consult. 11 Fev. 2009]. Disponível em
www.camjap.gulbenkian.pt/


Voltar contacte-nos imprimir página guardar página enviar endereço
Mapa do Sítio | Perguntas Frequentes | Assine o Livro de Visitas | Política de Privacidade e Segurança | Adicione aos favoritos | Sugira a um Amigo | Links Úteis
  Bibliotecas Municipais de Lisboa Arquivo Municipal de Lisboa Símbolo de Acessibilidade Visite o sítio português do projecto light Projecto co-financiado por Bandeira UE INTERREG 3C Câmara Municipal de Lisboa  
© 2005 - REVELAR LX - Todos os direitos reservados.  seara.com