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O escritor e orador Padre António Vieira, s.a, s.d, Arquivo Municipal de Lisboa, AFML - A41035
O escritor e orador Padre António Vieira, s.a, s.d, Arquivo Municipal de Lisboa, AFML - A41035

Padre jesuíta, orador, pregador e missionário, político e escritor, nasceu em Lisboa, na rua dos Cónegos, junto à , a 6 de Fevereiro de 1608, filho de um escrivão oficial Cristóvão Vieira Ravasco (descendente de alentejanos da vila de Moura e filho de uma mestiça) e de Maria de Azevedo. Em 1614, com 6 anos, partiu pela primeira vez com a família para o Brasil onde o pai veio a exercer o cargo de escrivão da Relação da Baía e onde o jovem Vieira foi estudar no colégio dos Jesuítas, onde aprendeu filosofia, retórica, a arte de declamar e de cativar a atenção do público.

A 5 de Maio de 1623 entrou no noviciado, talvez inspirado por um sermão proferido pelo padre Manuel do Couto alusivo ao inferno. Em 1624 assistiu à tomada da cidade de Salvador por um ano pelos holandeses, facto histórico que o veio a influenciar profundamente, marcando as suas oratórias e estudos futuros. Em 1635 é ordenado sacerdote e por cinco anos pregou nas aldeias da Baía, sobretudo aos indígenas sobre a ameaça dos holandeses, o problema da restauração da independência, o sebastianismo e os efeitos da administração colonial.

Após a Restauração em 1640, partiu para Lisboa apresentando-se ao rei D. João IV, futuro amigo e protector, apelando ao interesse deste pela colónia do Brasil. Tiveram início as suas famosas pregações na Capela Real do Paço da Ribeira, com o Sermão dos bons anos proferido a 1 de Janeiro de 1642 e os sermões proferidos na Igreja de São Roque em Lisboa alusivos às guerras contra o rei espanhol a favor da causa monárquica e da legitimidade de D. João IV.

A década de 1640 foi bastante importante na vida do padre António Vieira, foram anos de luta pelos direitos e pela defesa dos cristãos novos junto do rei e contra a abusiva influência do Santo Ofício, levando Vieira a considerar a sede da Inquisição em Lisboa a fortaleza do Rossio”.
Por ordens do rei, encetou um conjunto de viagens e operações diplomáticas pela Europa, tornando-se numa espécie de embaixador que lutou pelos interesses nacionais junto dos dirigentes políticos europeus e em que pretendeu cativar os homens de negócios e os judeus a investir no país a partir da constituição de novas companhias comerciais a serem instaladas em Portugal.

Em 1649 escreveu a sua primeira obra de carácter profético, a História do Futuro, coincidindo com a fundação da Companhia para o Comércio com o Brasil, isenta da contribuição e da acção da Inquisição. Em 1652 partiu para o Maranhão, após ter tido conflitos com a própria Companhia de Jesus pela defesa dos oprimidos, dos cristãos novos e dos indígenas que sofriam a escravatura e os abusos dos colonos. A 3 de Junho de 1654 pregou pela primeira vez o Sermão de Santo António em São Luís do Maranhão e, em 1655, o Sermão da Sexagésima, na Capela Real, em Lisboa, onde se tinha deslocado para receber do rei a lei que permitiu aos jesuítas o domínio sobre os índios.

D. João IV morreu em 1656, e com ele terminou a protecção dada a Vieira. A Inquisição iria proceder à constituição de um processo contra o padre António Vieira porque este defendeu as teses e trovas do profético sapateiro Bandarra e porque acreditava na ressurreição de D. João IV como o futuro rei do Quinto Império, o império cristão-português.

Em 1665 foi preso pelo Santo Ofício de Coimbra e da sentença que recebeu ficou proibido para sempre de proferir e de pregar quaisquer palavras em público, ficando por isso recolhido num colégio ou casa religiosa que o Santo Ofício determinasse. Efectivamente o padre António Vieira recolheu-se primeiro no Mosteiro de Pedroso, nos Carvalhos, e de seguida no colégio da Companhia de Jesus em Coimbra, mas por pouco tempo. Em 1668 foi amnistiado e em 1669, já em Roma e junto do Papa Clemente IX, denunciou os abusos do tribunal do Santo Ofício, contribuindo assim para que a Cúria Romana suspendesse os autos-de-fé em Portugal, até 1681, altura em que governava o país o regente D. Pedro, futuro rei D. Pedro II.

Em 1679 saiu pela primeira vez o 1º volume dos seus Sermões e nesse ano partiu em definitivo para o Brasil. De novo na Baía, onde viveu na Quinta do Tanque, continuou a escrever e a organizar os volumes completos da sua obra.

O padre António Vieira foi um homem público, homem religioso, activo, interventivo, poderoso orador que defendeu os seus ideais de liberdade e de justiça em relação ao poder real, ao papal e ao da Companhia de Jesus.
A sua primeira intervenção política manifestou-se na defesa contra os holandeses no Brasil, de seguida na Restauração da Independência do país em relação aos espanhóis e na legitimidade de D. João IV, que deu início à Dinastia de Bragança, nas missões diplomáticas que veio a realizar.

Na sua longa e extensa obra composta por 200 sermões, 500 cartas, escritos vários, pareceres, opúsculos, propostas e relatórios está presente a liberdade e a justiça pelos mais fracos, a luta contra os abusos da Inquisição, o profetismo e o messianismo político-religioso, o carácter didáctico da sua oratória com a noção do pecado, do inferno, a tolerância, as convicções humanistas e o extremo sentimento de patriotismo que nutriu pelo país, porque “Para nascer, Portugal. Para morrer, o Mundo.”

Morreu na Baía a 18 de Julho de 1697 no colégio dos Jesuítas, no Terreiro de Jesus com 89 anos, depois de terminar o seu 13º volume dos Sermões.

Bibliografia
CARDOSO, Maria Manuela Lopes – António Vieira: pioneiro e paradigma de Interculturalidade. Lisboa: Chaves Ferreira Publicações S.A., 2001. p. 37-57.
DOMINGUES, Agostinho – O Padre António Vieira: um património a comunicar. Porto: Edição Artes Gráficas, Lda., 1997. p. 6-37.
DOMINGUES, Mário – O drama e a glória do Padre António Vieira. 2ª edição. Lisboa: Livraria Romano Torres, 1961. p. 9-31.
MENDES, João, S.J. – Padre António Vieira. Lisboa: Editorial Verbo, imp. 1972. p. 9-23.
VIEIRA, António, S.J. – Sermões do Padre António Vieira. Ed. lit. de Margarida Vieira Mendes. 4ª edição. Lisboa: Editorial Comunicação, 1992. p. 11-22.

 


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