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Belém (Rua de)
Rua de Belém, 1939, Eduardo Portugal, B093167 - AFML
Rua de Belém, 1939, Eduardo Portugal, B093167 - AFML

A rua de Belém, antiga rua direita de Belém, situa-se entre o largo dos Jerónimos e a praça Afonso de Albuquerque.
Parte da zona que hoje abrange a rua de Belém foi, até à instituição da igreja de Santa Maria de Belém, chamada de “Praia do Restelo”.
Depois de 1400, é da Praia do Restelo que saem as caravelas servindo a empresa dos Descobrimentos e a zona cresce na proporção da dinamização do porto, justificando a doação do Infante Dom Henrique de uma capela aos frades da Ordem de Cristo. A ermida de Santa Maria de Belém passa a dar apoio religioso aos marinheiros e aos habitantes da zona. Por esta altura é também instalado um chafariz que ali existiu até às obras de remodelação em 1939.
Em 1501, foi lançada a primeira pedra para a construção do Mosteiro de Santa Maria de Belém. Devido à invocação da igreja, o local passa a ser designado como “sítio de Belém”.
Para além do casario, dominavam a zona várias casa nobres, entre elas a Quinta da Praia, no local do actual Centro Cultural de Belém, e os terrenos dos condes de Aveiras, área hoje ocupada pelos Jardins Agrícola e Tropical até ao Palácio de Belém.

Pensando nos marinheiros e nas suas famílias o infante D. Luís, filho de D. Manuel I, e a Rainha Dona Catarina, mulher de D. João III, instituíram duas Mercearias (esta designação tem origem na palavra “mercê”) – obra pia constituída por conjuntos de pequenas casas, nas quais viviam com as suas famílias homens de condição nobre que devido ao seu contributo para a Expansão tivessem ficado estropiados ou na miséria. As benesses destas mercearias incluíam uma certa quantidade de mantimentos, renda fixa, serviços de barbeiro, de médico e cirurgião. Os merceeiros estavam obrigados ao cumprimento de regras, como assistir a um determinado número de missas e celebrações religiosas. A Mercearia de Dona Catarina ficava no local onde hoje se encontra a Pensão Setubalense.

As instituições religiosas, as casas nobres, os bons ares e formas de lazer proporcionadas pelo rio Tejo contribuíram para o desenvolvimento comercial e social do local.
Em 1726 D. João V compra a Quinta de Belém ao conde Aveiras. A casa onde a família real habitava por alguns períodos ao longo do ano passou a ser conhecida por Casa Real do Campo de Belém.
Em 1755 o terramoto poupou toda esta zona tornando-a um local ainda mais apreciado, ao ponto de o Rei e a corte se terem transferido para ali, fazendo de Belém o centro político do País.
Em Setembro de 1758 Dom José foi alvo de um atentado que desencadeou o famoso suplício dos Távoras. A execução pública teve lugar na actual rua de Belém em 1759, no local onde se erguia o palácio do duque de Aveiro e onde hoje se pode ver o padrão do chão salgado a lembrar o acontecimento.
A partida da Corte para o Brasil (1807) alterou a estrutura social da zona e a posterior extinção das ordens religiosas (1834) tornou Belém mais burguesa.
É precisamente essa Belém burguesa e comercial que ainda hoje se pode reconhecer na rua de Belém apesar das grandes alterações sofridas em 1939.
A Exposição do Mundo Português alterou a organização urbanística da zona. Desapareceram as feiras e os respectivos restaurantes ambulantes, o hipódromo, o campo de futebol, o chafariz e o conjunto de prédios que o rodeavam.

A sua localização, entre dois pontos fulcrais, um da vida religiosa, o mosteiro dos Jerónimos, e outro da vida política, o Palácio de Belém – residência oficial do Presidente da República desde 1911 –, permitiu-lhe ser cenário de vários acontecimentos na história do séc. XIX e XX: a importante Procissão do Senhor dos Passos, a trasladação dos corpos de Vasco da Gama e de Luís de Camões (1880), homenagem a Alexandre Herculano (1910) e Fernando Pessoa (1988), as exéquias do Rei Dom Carlos (1907), desfile de tropas para combater na Primeira Guerra Mundial (1916), a vitória dos Aliados (1918), a exposição do Mundo Português (1940), e todas as honras oficiais prestadas aos Chefes de Estado que visitam Portugal.

Hoje a Fábrica dos Pastéis de Belém, fundada por Domingos Rafael Alves e trespassada pelo filho a uma sociedade, é um dos focos de atracção da rua. O segredo da receita, que tornou a casa famosa, foi comprado e outorgado em escritura, a José Vicente da Silva Pinto, em 1879.

Freguesia:  Santa Maria de Belém

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa. IX Volume, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, 1992-1993, p. 60.
GASPAR, Diogo, Do Palácio de Belem, Lisboa, MPR, 2005, p. 35.
NEU, João B. M., Em volta da Torre de Belém: Evolução da zona ocidental de Lisboa, Lisboa, Livros Horizonte, 1998.


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