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Nicola (Café )
Café Nicola, Luís Ponte, Divisão de Comunicação e Imagem, 30 de Dezembro de 2004
Café Nicola, Luís Ponte, Divisão de Comunicação e Imagem, 30 de Dezembro de 2004

Localização
Praça D. Pedro V (Rossio)
Freguesia: Santa Justa

Autoria
Norte Júnior
Raul Tojal

O Café Nicola existe desde finais do século XVIII. É referenciado na Gazeta de Lisboa em 1787. O mesmo periódico menciona uma «liquidação da loja grande de bebidas do café Nicola», em Julho de 1794. Neste botequim vendiam-se cafés e refrescos e era um local frequentado por jacobinos e maçónicos. Em 1825, o botequim foi trespassado por Nicolau Breteiro a Rosa Maria de Athayde, mas o negócio não lhe correu bem e em 1829, mais uma vez a Gazeta de Lisboa anuncia o trespasse do estabelecimento com o seu recheio «de líquidos, bilhar e jogo de gamão». O botequim Nicola deve a sua fama ao poeta António Barbosa de Bocage que o frequentava no século XIX. No Nicola, Bocage amaldiçoou o seu inimigo ex-padre Agostinho de Macedo e aí ditou a um amigo Pena de Talião, uma sátira ao mesmo. Terá sido, também, no Nicola que Nuno Pato Moniz redigiu o poema cómico Agostinheida, ridicularizando o mesmo padre. Bocage declamava neste estabelecimento sonetos improvisados, atraindo ao botequim uma plêiade de intelectuais e políticos. Era um local de tertúlia. Mesmo depois da morte de Bocage, o seu grupo de amigos continuou a frequentar o botequim e aí se prosseguiram as tertúlias. Tinha um empregado, José Pedro da Silva, que ajudava em tudo o que podia os poetas e muito valeu a Bocage em horas de necessidade, tendo inclusivamente sido este benfeitor que pagou o funeral de Bocage.
O café Nicola encerrou em 1834. A loja foi trespassada ao sombreireiro Dias. No início do século XX, aí foi instalada a Ourivesaria Xavier de Carvalho. Ocuparam também o local a Livraria de Francisco Arthur da Silva e o Sallon de la Mode de Francisco Salles Ramos.
Joaquim Albuquerque, um dos antigos sócios do Café Chave d’Douro, adquiriu o espaço, em 2 de Outubro de 1929. Tornou, então a ser um café, de nome Nicola para evocar a sua tradição, sendo actualmente um dos cafés mais antigos do Rossio. O seu empresário adoptou Bocage como imagem de marca. A nova fachada do café, executada em 1929, é do traço de Norte Júnior. A decoração do interior era neoclássica. As telas foram executadas pelo pintor Fernando Santos e a estátua de Bocage foi esculpida por Marcelino Norte d’Almeida. Em 24 de Dezembro de 1935, foi encomendada ao arquitecto Raul Tojal uma redecoração interior, a qual deu ao espaço um ambiente modernista. Retornaram as tertúlias ao café, entre as quais se podem destacar as tertúlias de Cassiano Branco.
Ao lado do café, ligado por um grande corredor havia uma sala de bilhar. A entrada para o bilhar era feita pelas portas dos actuais números 22 e 23 do Rossio, onde existiu, em 1999, a Livraria do Jornal de Notícias, n.º 81-82.Célebre se tornou a quadra de Bocage, ao ser interpelado pela polícia:
Eu sou Bocage
venho do Nicola
vou p’ro outro mundo
se dispara a pistola.

Bibliografia
DIAS, Marina Tavares, Os cafés de Lisboa, 2.ª ed., Lisboa, Quimera Editores, 1999.
SUCENA, Eduardo, «Cafés» in SANTANA, Francisco e SUCENA, Eduardo (Dir.), Dicionário da História de Lisboa, dir. Francisco Santana, 1.ª ed., Sacavém, Carlos Quintas & Associados – Consultores, 1994.
MASCARENHAS, João Mário e RÊGO, Manuela (Coord.), O sabor dos cafés, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, 2000, p. 33.


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